Um pouquinho de tudo que eu gosto...

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Ao entregador de cartas


Nome da cidade, tanto de tanto de dois mil e tanto


Oi, tudo bem? Como vai você? Onde você está que eu não te encontro mais? Não me lembro da ultima vez em que você passou por aqui. Nem ao menos ouço os vizinhos falar de você. Há anos que não escuto mais o latido dos cães. Terá sido o aparecimento da internet que o fez distanciar-se da minha caixinha de correios?
Dizem que o tempo decorrido não volta jamais, mas eu insisto em relembrar o meu passado. Pra mim é uma forma de reviver, nem que seja na memória. Lembro-me das épocas em que você aparecia sempre do mesmo jeito, alegre, geralmente vestindo roupas amarelas com aquele emblema azul... Bons tempos aqueles, em que até os cachorros da rua pareciam se alegrar com a sua visita.
Hoje, você não aparece mais, como pôde fazer isso comigo? Justo eu que sempre te recebia com sorriso no rosto. Você sabia que eu gostava, mesmo porque ninguém me mandaria cartas se eu não gostasse de recebê-las. Recordo-me como se fosse hoje, as cartas que eu recebia eram sempre de amigas, amigas que eu amava, mas que o destino nos distanciou. Era sempre um blá blá blá blá blá blá, que diziam sempre as mesmas coisas, algo do tipo: oi amiga, tudo bem com você? Espero que sim!... Mesmo elas sendo totalmente previsíveis eu adorava ler, reler, encaminhar as cartas de respostas. Eu era feliz e não sabia. Me divertia com coisas tão simples!
E então, veio a internet, que facilitou demais, não podemos negar. Os e-mails começaram a chegar quase que instantaneamente, era como se conversássemos olhando uma para outra. É certo que o relacionamento entre eu e minhas amigas não mudou, mas o quesito surpresa acabou. Aquela alegria passageira de pegar o papel na mão, geralmente amassado, o que configurava dias na estrada, aquela ansiedade ao abri-las, não existe mais! Uma pena, por que eu adoro ser surpreendida...
Mas, só uma coisa não me deixa perder as esperanças: o entregador de contas, que continua aparecendo semanalmente. Torço para que um dia ele esbarre com você, em um lugar qualquer, e o faça lembrar de que eu existo e que adorava receber as cartas que você trazia. Quero que saiba, que não estou aqui para culpá-lo, sei bem que as coisas mudam. Porém devo informar-lhe de que não pretendo desistir de você. A internet pode ter substituído o seu papel, mas insito em acreditar que um dia você vai voltar, nem que seja para se explicar.
Até a próxima!
Abraços,

P.S.: Ah, se precisar do meu endereço, pergunte para o seu amigo distribuidor de contas (*aquelas de água, luz e telefone), ele nunca esquece meu endereço.

4 comentários:

Marina Moscardini Souza Lellis disse...

Adorei o texto, ficou lindo!

Beijos
http://estiloemcapitulos.blogspot.com

Margueth disse...

Oi amiga,
Bom lembrado, esse assunto! Realmente eu tambem sinto saudades do carteiro! E dos tempos das cartas que trocavamos entre amigos, primos, e inclusive enviar para promocoes e para o Show da XUXA.... ;-)
OPS! Ja tenho o seu endereco...

NoticiAndo com estilo disse...

Amei, eu tb tenho saudade dele. bejos!!!

Jô Coelho disse...

Belo texto..
Em tempo:
Tenho um amigo em SP que trocávamos cartas, era tão gostoso receber uma. Depois ele foi inventar de se modernizar e escrever emails, alguns nem chegava a ler, já os deletava sem abrir.
Tentamos conversar via msn, nada também. Incrível como acabou o encanto, uma pena!

Big bjo, Angela.

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